A Comissão de Investigação e Processante instalada na Câmara em 23 de abril, com o objetivo de apurar a prática de possíveis infrações político-administrativas cometidas pelo prefeito Gustavo Cancellier (sem partido), as quais originaram a Operação Terra Nostra, essa que na sua segunda etapa efetuou a prisão preventiva do citado, pode colocar um ponto final nos lamentávis episódios que se seguem desde maio de 2021, quando Urussanga foi surpreendida com a então Operação Benedetta, mas que na verdade começaram a ser sugeridos em outubro de 2018, quando na mesma Casa Legislativa foi obtida com a maioria de votos dos edis, a autorização para que o município contrata-se um financiamento de R$ 14,5 milhões.

Na primeira Operação descrita, por determinação da justiça o vice-prefeito Jair Nandi (PSD), assumiu a administração onde permaneceu por 11 meses, em um período de total insegurança, pois não havia uma definição se o agora preso, voltaria ao cargo e quando. Quadro que agora se repete, apenas com menor expectativa de retorno ao Paço do investigado.

Com essa instabilidade no ambiente político, e mais do que isso, no governo, Urussanga somou diferentes prejuízos de maneira inédita. Entre eles, teve sua imagem associada ao noticiário policial, o que inibiu o interesse de empresários e investidores, e principalmente desencadeou em um número expressivo de munícipes uma insatisfação impossível de disfarçar.

E como não poderia deixar de ser, na política, o PP (Progressistas) partido que recentemente expulsou Gustavo e um vereador, ao mesmo tempo em que ainda o apoiava, se colocava em uma condição de risco, e agora se mostra combalido em pleno ano de eleição.

Assim por tantas justificativas, a CIP se concluir que houve crime e em seu relatório final pedir a cassação do prefeito, o que pode acontecer em até 30 dias, ao obter a maioria dos nove votos, o que hoje é considerado muito provável, existindo até a hipótese de unanimidade, retira esse peso e entrave do município, fazendo com que somente os tribunais onde os investigados ou já acusados podem exercer o amplo direito da defesa, se encarreguem de concluir o que começou aqui mas já permaneceu tempo demais. Pode ser o fim de ciclo.